André Sobreiro, força de vontade rumo aos Jogos de 2016

Há 10 anos viu a vida dar uma volta após um acidente de mota.
Não desistiu, continuou a praticar desporto e hoje tem objectivos bem altos.

André Sobreiro tem 33 anos e está há dez anos numa cadeira de rodas, depois de um acidente de mota.  Trabalha na Parasport, Associação de Promoção de Desporto Adaptado, causa a que se dedica a cem por cento, mas não vive só de palavras. Jogou basquetebol e actualmente é dos maiores valores nacionais no HandCycling, estando a treinar para chegar aos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. É, sem dúvida, um atleta de topo.
Antes de mais, conte-nos a sua história.
Em 2003 tive um acidente de mota quando me deslocava para casa. Perdi o controlo, penso que talvez devido ao cansaço os reflexos já não estavam tão bons, e tive uma saída de estrada. Embati fortemente com as costas no chão, partindo também a clavícula. A minha sorte é que ia com um amigo e após a queda foi ele quem ajudou e mobilizou todos os meios para fosse prestada a minha assistência médica o mais rápido possível. Após chegada dos paramédicos ao local fui transferido para o Hospital de Portimão e consequentemente transferido para o Hospital São José para ser operado. Após a operação, na qual foram colocadas duas placas e 12 parafusos para fixação da coluna, iniciei a recuperação e aprendizagem desta nova fase da vida. Assim que foi possível clinicamente, fui integrando no Centro de Reabilitação de Alcoitão para fazer os ensinamentos e procedimentos para que, depois, pudesse voltar à minha cidade e então dar inicio a um novo método de vida ‘sentado’.   
Como foi a sua vida logo a seguir ao acidente?
Logo após ter saído de Alcoitão voltei à minha vida activa, de trabalho, fazer desporto e sair com os amigos. Independente de tudo, antes ou depois do acidente, sou eu mesmo. Sempre divertido e disposto a partilhar um sorriso.  
Já fazia desporto antes…
Sempre pratiquei desporto. Andebol, voleibol de praia, futebol, cicloturismo, isto além do desporto escolar quando era mais jovem. 
Depois do acidente, fazer desporto era parte da recuperação ou já era algo mais?
Sempre gostei de fazer desporto, não só por ser excelente para a nossa saúde, como também ajuda a tranquilizar e abstrair do stress do dia a dia. E também porque é importante ter uma boa condição física para melhorar a dinâmica e o manuseamento da cadeira de rodas. 
Quando começou a competir em cadeira de rodas?
Iniciei-me na competição em 2007, na modalidade de basquetebol, disputando o Campeonato Nacional de em cadeira de rodas, pela Parasport-Portimão (Associação de Promoção de Desporto Adaptado).
Como se deu a passagem para o handcycle?
Em 2009, quando fui convidado pelo Presidente da Parasport, André Leman, a participar no programa regional de desporto adaptado em Faro ‘’Pedalar pela igualdade’. Foi também nesse ano que tudo se tornou mais sério nesta modalidade, após ter participado num Campo de Treinos de Handcycle em Portugal, organizado pela Parasport, que adquiri a minha primeira Handcycle e comecei a preparar melhor fisicamente e submeter a futura competições.
Que resultados já teve?
Iniciei-me na competição em Maio de 2011, numa Maratona em Mannhein, na Alemanha, na qual obtive o 38º lugar entre 82 participantes. Depois participei na 1ª Edição de Jogos de Portugal Coimbra 2011, com o 1 ºlugar na modalidade Handcycle e, em 2012, venci ambas as corridas do calendário nacional. Em Junho desse ano consegui a minha primeira internacionalização como atleta da Selecção Nacional. Fui convocado pela Federação Portuguesa de Ciclismo para a representar o nosso pais na Taça do Mundo de Segóvia, onde conquistei o 10º lugar.  
Em que ponto está o hancycle em Portugal?
Desde que me iniciei até ao momento, vejo uma grande evolução. Este ano já tivemos seis provas de estrada no calendário nacional – Prova de Abertura de Para-ciclismo, 3 Taças de Portugal, Campeonato Nacional de Contra-relógio e Campeonato Nacional de Estrada Paraciclismo. Tudo fruto do excelente trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Federação Portuguesa de Ciclismo, liderada pelo técnico responsável do Paraciclismo José Marques.  
Quais os seus objectivos desportivos?
O meu objectivo principal é obter a qualificação para os Paralímpicos de 2016. Há uns tempos era apenas um sonho, mas hoje treino para se torne bem real.
Onde treina? Quantas horas por semana?
Treino principalmente na estrada, mas também faço trabalho especifico de ginásio, aulas de cycling indoor, piscina e treino nos rolos caso o tempo não permita ir para a estrada. Actualmente faço cerca de 12 a 14 horas semanais.


   
Treina sozinho?
Sim, grande parte das vezes pedalo sozinho na estrada. Conto com a colaboração na orientação dos treinos da Ema Bandeira, da Improve, e do João Cabreira, da BikeTreino.
Quanto custa uma handbike?
Uma bike preparada para o nível de competição que faço pode custar mais de dez mil euros. Isto porque existem componentes mais leves e robustos que encarecem muito a bike, mas são muito importantes para a minha performance na competição.
Que tipo de apoios do Estado ou de outras entidades desportivas tem?
Neste momento conto apenas com o apoio da Parasport, da Junta de Freguesia Santa Maria, Altis – Polar,  equipamento de monitorização para a bike, e a colaboração de algumas empresas na que cedência das instalações para eu treinar, Lagos em Forma e Village Fitness. 
Como tal é muito importante para este meu projecto de alcançar os objectivos de estar presente nos Paralimpicos do Brasil, em 2016, pedir todo o apoio por parte de entidades e patrocinadores que me possam ajudar, não só financeiramente para aquisição de uma nova handbike de competição que custa cerca de dez mil euros, sem contar com acessórios de topo. Isso resolveria  muitos dos meus problemas técnicos, inclusive aumentaria a minha performance na competição.
Peço também às empresas ligadas ao comércio de material de ciclismo, a colaboração com material técnico. Um exemplo, neste momento preciso urgentemente de uma manete de nove velocidades, mas também de material de desgaste, pneus, câmaras de ar, correntes, carretes de 9 velo, etc.


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