Carlos Sá bate recorde na subida ao Aconcágua!

Atleta português bateu, à segunda tentativa, o recorde da subida à montanha mais alta da América do Sul.

Depois de uma primeira tentativa falhada, Carlos Sá voltou, ontem, a subir o Aconcágua e desta vez alcançou mesmo o cume, aos 6960 metros de altitude. Mas o projecto do ultra runner luso não era apenas chegar lá acima, passava por bater o recorde de velocidade. E desta feita conseguiu-o, fazendo a ida até ao topo e volta ao acampamento em 15 horas e 42 minutos.

Leia o relato do próprio atleta colocado na sua página de Facebook.
Aconcagua 2013
Chega hoje ao fim uma das mais fantásticas aventuras da minha vida, parti para a Argentina para mais uma prova de superação e aventura a 27 de Dezembro, o grande objectivo desta viagem a tentativa de subir ao teto da América numa primeira fase e numa segunda caso a montanha deixa-se fazer a correr desde
a entrada do parque (ponte de Horcones) cume e descida no menor tempo possível.
Quando expôs a minha intenção ao chefe dos guardas parques ele disse-me que não resistava a marca porque as tentativas de recorde com resgisto oficial tinham sido feitas desde a entarda do parque a 2950m e não da ponte como fez o Jorge, sei que o Jorge não tinha a intenção de fazer um recorde mas sim uma homenagem a um amigo que morrera na montanha.
Com recorde ou sem o mais importante é nós nos propormos a desafios e este é tão grandioso só ao alcase de muito poucos, foi esse o motivo que me trou-se ao Aconcagua e aceitei as regras dos guardas parques, mesmo tendo de correr ainda mais quilometros queria ver o meu nome inscrito no livro de recordes, o melhor registo era de um guia Peruano com pouco mais de 20h.
Em apenas 6 dias subi ao cume, fiz uma tentativa a correr até aos 6400m onde me esgotei por completo e quase congelava os pés e conclui com sucesso a tentativa de subida e descida em 15h42min para além de tudo isto tinha que descer a Montanha +/-24km.
Ontem durante a ascensão corri vários riscos, a montanha estava completamente invernal e muito perigosa, a partir dos 5500m tive que fazer a ascensão em botas de alta montanha e crampons, quase 6kg nos pés que me obrigava a enterrar na neve e quase tornava a progressão impossível, o desgaste era evidente e a minha luta contra todas as adversidades parecia inglória.
A partir dos 6300m o mal de altura começa a manifestar-se, é uma consequência para quem sobe demasiado rápido, subir dos 2900 aos quase 7000m em poucas horas tem este problema grave e era o que mais preocupava a mim e à equipa de resgate, para tal levava uma injeção para me salvar a vida em caso de limite.
Dava 20 passos e parava para recuperar mas depois da travessera a mais de 6500m não tinha o controlo dos meus movimentos e uma queda ali poderia ser fatal, estava perfeitamente consciente mas as pernas não reagiam, os músculos cansados e sem oxigénio não podiam suportar o peso do meu corpo montanha acima, penso em desistir várias vezes mas vou optando por fazer pausas cada vez mais frequentes e longas e assim fui até ao cume, o que devia fazer em 30min demorei 1h30min, fiquei durante 15min cume estava com muito receio de enfrentar a descida que estava muito perigosa.
À 6 dias atrás tinha descido em apenas 1h do cume até Nido ontem com quedas consecutivas sem gravidade e numa tentativa desesperada de controlar o meu corpo demorei 2h30min, à medida que ia baixando parecia recuperar drasticamente, chego a Nido com os pés desfeitos pelas botas e crampons de travar numa rampa interminável, ai estava o Paulo Pires com chã e sapatilhas, foi um alivio e parecia voar com sapatilhas nos pés, acho que demorei apenas 20min para fazer a descida até ao acampamento base.
No acampamento base atestei a mochila e demorei 2h30min até à meta tendo de ultrapassar muitos obstáculos (rios, derrocadas de pedras e lama) pelo meio, chegado a Horcones ai estavam os guardas e um elemento do exercito que me davam os parabéns.
15h42min era o novo recorde oficial e o chefe dos guardas passava-me a ata de registo, depois de algumas fotos o elemento do exercito leva-me ao quartel porque o comandante quer me dar os parabéns, vamos numa ambulância com outro alpinista que sofrera um edema cerebral, depois de tantas felicitações lá chego a casa para descansar.
Obrigado a todos vós por acompanhar com interesse esta grande aventura, lembrem-se de que tudo é possível e que desistir é a última das opções.
Abraço
Carlos Sá

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